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domingo, 4 de dezembro de 2016

Sobreviver: Benção ou castigo?

Ainda falando sobre #somostodoschape...

Meu coração fica muito apertado quando penso naqueles que sobreviveram, ou que perderam por alguma razão o voo.

Sobreviver: este Milagre tem nome.  Bênção, missão, sorte, entre outros. Verdade!


Mas penso em como é ser sobrevivente. Como a própria palavra diz, Sobre - vive.  Sobreviver nem sempre é viver plenamente.

Não deve ser tranquilo acordar com a sensação de que você deveria ser muito feliz e grato,  pois foi abençoado.  Junto disso você vai carregar todas as lágrimas dos que perderam seus entes queridos todas as vezes que te olharem,  vai carregar todos os sorrisos não dados dos que se foram, todos os sonhos sonhados juntos e não realizados.

Existe um fenômeno chamado "A culpa do sobrevivente" que acomete muitos dos que ficam. Não é um fenômeno exclusivo de sobreviventes de tragédias de grande porte. Sofrem filhos que sobrevivem à morte de um irmão, sofre o que sobrevive depois de um acidente banal de carro, onde o outro morre.  Ou ainda, quem sai com vida de um desabamento e seus companheiros não. OU ainda de um naufrágio onde companheiros de viagem não resistiram. Ou sofre aquele que não embarcou pois perdeu a hora ou o passaporte.

Sobreviver implica em ter autorização para ser feliz e em não ter a culpa de ser feliz, enquanto este direito foi negado a quem partiu... 
 
É preciso saber encontrar a bênção da dádiva de sobreviver, pois do contrario acontecerá um pacto com o "morrer em vida".

Sobreviver é um árduo trabalho.

Meu coração se angustía pelos que ficaram...

(dezembro/2016)

 

Por que somos todos afetados pela tragédia de Chapecó? Sobre a morte nos lembrar da nossa imortalidade.

#Somos todos Chape... 

A frase que mais se ouviu , o som que mais se ouviu durante toda esta semana...

Uma Tragédia...Imensa tristeza, sem dúvidas.

Mas o que fez com que todo o mundo fosse tão afetado? Afinal, os refugiados morrem de fome e frio todos os dias, ou afogados. Os sírios morrem em numero 10 vezes maior a cada dia, a fome mata na África, as guerras civis destroem 300, 440 vidas todos os dias  Sentimos muito, mas não nos comovemos ou os mobilizamos com a mesma intensidade. O fato é que acordamos com a face da morte em nossa cara, nos mostrando que ela chega quando quiser.  Acordamos com a concretização da nossa imortalidade estampada nos jornais.

Eram jovens, bem sucedidos, com a vida brotando por todos os poros. Todos tinham estabilidade, vida tranquila, estavam felizes. Eram campeões. Desbravadores. Empreendedores. Fortes. Lutadores. Campeões.  Estavam e eram felizes.

Não podiam morrer. Simples assim. Não podiam.

Acordamos com a concretizarão da nossa imortalidade e, principalmente, da nossa efemeridade.

Não estamos no controle. Não temos o poder que, inconscientemente, acreditamos que temos.

O luto é por eles sim... Mas é também por nós, pela   percepção da nossa propria finitude, nque sim, pode chegar amanhã, daqui 10 minutos, ou...

Nossas entranhas são remexidas quando sentimos que talvez, amanha seja tarde, que talvez nem haja amanha e um vulcão de sentimentos explode dentro da gente. Pensamos nos não ditos, nos não feitos, os abraços não dados, os perdões não pedidos, os sonhos não realizados, a vida cheia de momentos não vividos.

Não podiam morrer. Não é justo. Mas não estamos no controle.

É a morte nos lembrando a brevidade da vida. E a comoção tem um tom de medo. Medo de sabermos que, ou vivemos ou talvez não tenhamos tempo.

Sim, estamos de luto por eles.. Mas também por nós mesmos e por nossa efemeridade. 

Que a gente possa refletir!  Pois talvez, de fato, não haja amanha para recebermos uma taça. Mas temos o hoje para jogar o jogo da vida!

(dezembro/2016)
karim.xavier2@gmail.com